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por
isaac prozac


vera fischer sempre aspirou uma carreira de atriz
fim de carreira deixa maradona mucho loco!

O colegial é mesmo uma fase complicada, além de um sorvete econômico: como se não bastasse a acne, a necessidade de adequação social e as humilhantes negativas de namoradas em potencial, ainda nos é exigido, ao fim do terceiro ano, que tenhamos discernimento suficiente para definir nossa futura carreira profissional.
Lembro que fui avaliado pelo conselheiro vocacional da escola, que, após uma série de testes, intuiu que eu seria um bom jornalista - ou médico legista, ou qualquer coisa assim. Ele tinha problemas de dicção, era difícil entendê-lo.
Embora àquela época o cenário jornalístico fosse outro - edgard piccoli era vj do shop tour e joelmir beting ainda não era garoto propaganda do bradesco - achei que jornalismo seria uma boa carreira para mim. Mas antes de preencher a ficha de inscrição pro vestibular, precisava de uma segunda opinião, só pra ter certeza - e isso me deu certeza de que eu era muito inseguro.
Meu pai queria que eu fosse advogado, para seguir os passos de sua família. Já mamãe me queria advogado para processar a família de papai. Certamente o curso de direito seria para mim apenas um upgrade da famigerada pergunta 'de quem você gosta mais?'.
Uma tia sugeriu medicina, mas, levando em conta que a mesma fazia cesta básica na farmácia, achei que ela vislumbrava apenas um futuro provedor de amostras grátis.
Um colega disse que eu poderia ser um bom cantor de rock, afinal era uma carreira que não demandava grande talento (ei, se o dinho ouro preto canta mal até hoje, imagine naquela época), mas a idéia de envelhecer usando camiseta regata me pareceu meio bizarra.
Foi quando me ocorreu que talvez eu não devesse fazer faculdade ou seguir carreira alguma: sim, eu poderia ser um nômade, trabalhando em lanchonetes esquecidas pela vigilância sanitária e viajando de carona pelo mundo atrás de minhas bandas favoritas. Ora, bandas com nome duplo costumam durar pra sempre - e eu estaria na primeira fila, cantando os refrões com meu inglês colegial.
Lá estava eu, entre o jornalismo e a vida cigana. Então, o destino colocou o vestibular no mesmo dia do hollywood rock - e fui forçado a me decidir.
Por anos questionei se tinha feito a escolha certa. Mas só tive mesmo certeza quando o duran duran, o spandau ballet e o crowded house acabaram.


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