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isaac prozac


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tartarugas vivem mais porque não moram com os pais!

Morar sozinho é uma decisão que exige maturidade para encarar, capital pra financiar e, na hora da mudança, algumas caixas. De lexotan.
Desde pequeno sabia que a casa de meus pais era, bem, de meus pais - mamãe deixou isso bem claro ao me dar um cartão da julio bogoricin em meu aniversário de oito anos.
Comecei a procurar meu primeiro apartamento, creio eu, na mesma época que mamãe assinou casa claudia, comprou uma trena e passou a fazer medições das paredes de meu quarto.
Meu bolso não permitia frivolidades como saneamento básico ou ruas asfaltadas, mas ainda assim aluguei um apartamento simpático, próximo à estação de metrô - o bastante para que o teto trepidasse a cada três minutos - e que estava vago desde que o antigo inquilino morrera atingido pelo lustre da sala (meu próximo investimento seria um abajur). Era pequeno, é claro - fofolete teria claustrofobia se morasse lá - mas era meu. Tá, não literalmente.
Mobiliar um apartamento é uma tarefa simples, desde que não se tenha a pretensão de ser convidado para a próxima casa cor. Só precisava de um sofá, uma cama, uma geladeira e uma tv (já existia o híbrido sofá-cama mas a geladeira-tv ainda era um eletrodoméstico exclusivo da família jetson). Porém, como tudo dependia de meu escasso orçamento, optei pelo imprescindível e comprei somente a tv.
A vida solitária proporciona uma série de prazeres adultos, tais como andar de cueca pela casa, deixar as roupas sujas pelo chão e ouvir música no último volume - desde que o som de seu vizinho alcance menos decibéis que o seu.
As primeiras contas chegaram, bem como uma síndrome de pânico até então assintomática: aluguel, luz, condomínio, assinatura da playboy - ei, eu precisava me manter, uh, informado - e algumas excentricidades como comida e cuecas limpas estavam me comendo uma perna. Por outro lado, poderia economizar um bocado com meias.
Subitamente fui acometido pela fobia - não tão rara - de engasgamento com bala soft e indisponibilidade de outro ser humano para aplicar a manobra de heimlich; mas, maduro, resisti o quanto pude antes de telefonar para minha mãe pedindo colo. Foram longos minutos.
Sim, engoli meu orgulho (do tamanho que estava, desceu sem problemas) e voltei para casa, onde fui recebido por papai de braços abertos - embora, em princípio, tive a nítida impressão de que ele estava apenas barrando a porta de entrada.


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