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por
isaac prozac


mexe as cadeiras, mulata
o samba pede passagem mas deveria ter feito reservas!

Quando tinha 18 pra 19 anos, minha namorada e eu decidimos passar o carnaval na praia. Idéia dela, é verdade - eu não gostava de carnaval, não gostava de praia e, para ser bem sincero, também não gostava muito daquela namorada (desculpe se você estiver lendo isso, cinthia - e agora desculpe por revelar seu nome também) mas ainda assim me pareceu melhor que assistir ao baile vermelho-e-preto pela tv.
Como sempre que me expunha ao sol o tempo resolvia contradizer o narciso vernizzi, saí de casa pronto para enfrentar tanto um tsunami quanto uma tempestade polar, e, desnecessário dizer, estava suando em bicas desde que o ônibus cruzara o limite interestadual. Não via a hora de chegarmos no hotel para me livrar da capa de chuva e das calças de veludo - embora minha namorada insistisse para que eu as tirasse ali mesmo. Não, não era um fetiche rodoviário: tinha muito mais vergonha que libido embutida em seus pedidos. Mas eu podia agüentar mais algumas horas de viagem, afinal não costumava me desidratar duas vezes no mesmo mês. Bons tempos.
Ao chegarmos, abri minha mala e encontrei protetores solares anti-buraco na camada de ozônio, comprimidos homeopáticos anti-histamínicos e earplugs anti-samba. Mas - só então percebi - não trouxera calção, sunga, nem mesmo cuecas. Na verdade, não trouxera roupa alguma - e a praia de nudismo mais próxima não fazia traslados.
Sem condições de deixar o hotel (a genitália desnuda não era uma alegoria carnavalesca muito aceita naquela época), sugeri que ficássemos os dois no quarto e, bem, assistíssemos ao baile vermelho-e-preto pela tv. Ela detestou a idéia e, já em um biquini pequeno demais até para os dias atuais, sugeriu que eu a esperasse enquanto ia a um shopping center local comprar algo para que eu vestisse e - percebi um certo contragosto na frase a seguir - a acompanhasse durante o carnaval.
Acho que o comércio não abriu nos três dias seguintes, pois só a vi de novo na quarta-feira de cinzas. Já as farmácias não devem ter fechado, pois ela comprara um tal de xampu carnavalesco.
Bom, pelo menos foi o que ela disse quando vi seu cabelo cheio de confete.


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