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por
carol carefree


seria de se admirar se o gato berrasse au-au
sociedade protetora dos animais processa dona chica por omissão de socorro!

Companheiras, é estarrecedor: as canções de ninar são totalmente misóginas!
Desde as fraldas ouvimos, com o acompanhamento de chocalhos e melodias pouco criativas, palavras de sexismo explícitas contra as mulheres. Claro, a culpa dessa lavagem cerebral é dos pais - e quando digo isso não me refiro ao casal, mas ao plural da parte peniana.
Nas referidas canções, as crianças estranhamente não têm medo de um assustador boi de cara preta - mas o têm de uma inocente careta, simplesmente porque é um substantivo feminino. Também não têm medo do bicho-papão - afinal, ele está lá em cima do telhado como se fosse o próprio papai noel - mas da cuca, sim, pois a mesma vem pegar o nenezinho relutante em nanar durante a ausência da mamãe passeante [sic]. E, a bem da verdade, sempre me preocupou mais o cuco que a cuca - principalmente quando tinha que acordar cedo para ir à escola, em dias de prova.
Também insistem em pregar nossa suposta fragilidade: o cravo, pimpão, sai da briga praticamente ileso e/ou com ferimentos leves, enquanto a pobre rosa sai toda despedaçada da tal sacada. Eu que não iria visitar o cravo doente, se fôsse ela - por mim, ele poderia morrer e justificar sua alcunha de cravo-de-defunto. Já terezinha de jesus precisa de três homens para levantá-la de uma simples queda: ou ela é muito gorda ou está bêbada.
Algumas cantigas ainda insinuam dependência financeira: 'o anel que tu me destes era vidro e se quebrou'? - ora, como se não pudéssemos comprar nossas próprias bijuterias (e de qualidade superior, diga-se de passagem).
Tais constatações me deixaram um tanto confusa, pois, ao contrário da ovelha dolly, eu também tenho pai. E, confesso, ao perceber a possibilidade de envolvimento do meu nessa conspiração nada pueril, achei que talvez devesse conter minha curiosidade para não estragar o clima dos almoços de domingo. Vocês sabem, a curiosidade matou o gato - a companheira chica não teve nada a ver com isso.
Mas como curiosidade também é um substantivo feminino, aposto que ela teve uma boa razão para assassinar o felino. E então resolvi revelar tudo, para impedir que os homens - incluso meu pai - continuem a se safar da responsabilidade de assustar criancinhas.
Sim - assim como o samba-lelê, papai precisava é de umas boas palmadas!


link you!
canções de ninar
boi da cara preta
nana nenê
o cravo e a rosa
atirei o pau no gato
(Carol carefree abriu mão da carreira de jornalista para dar a mão em casamento. Hoje é uma dedicada dona-de-casa, em stepford.)


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